sexta-feira, setembro 19

se eu fosse um anjo






tivesse asas, fosse um anjo,
poderia cingir-te aos braços
sem a volúpia que me inflama
e não roubaria os beijos
da boca que não me ama.

poderia, talvez pudesse,
serenar-te o ânimo,
murmurando velhas fábulas
de amizades inumanas:
tivesse asas, fosse um anjo.

poderia, talvez pudesse,
levar-te às estrelas,
onde se pode entender
a insignificância de tudo:
tivesse asas, fosse um anjo.

mas não sou um anjo.
pulsam em mim as paixões
que movem a espécie humana
e o meu desejo é maior
que a razão que a hora clama.




publicado em "Eu, Meu Outro"
Editora Poesia Diária
Maio/1999


ilustração: Anjo deprimido
encontrado, sem indicação de autor, no site: http://niilismo.net/galeria/

2 comentários:

Ariadna Garibaldi disse...

Um dos seus poemas mais bonitos! Gosto de tudo aqui. Beijos

Ada

fred disse...

Obrigado, amiga.
Beijos

pesquisar nas horas e horas e meias