segunda-feira, março 9

antítese



Em uma postagem recente no “Poesia Sim, o Lau Siqueira provocou os seus leitores poetas com a questão: “Você conhece seus melhores poemas?” O texto e os comentários informaram-me que,  tanto quanto eu, outros poetas são às vezes surpreendidos com elogios a poemas que não consideravam entre os seus melhores e indiferença, ou crítica dura, a poemas que elegiam entre os seus preferidos.
A quem não leu, recomendo a leitura no
blog do Lau
Só coloquei aqui o assunto para introduzir este poema, que está entre os que não gosto, mas que hoje achei por bem publicar:


faze em cada verso catarse da tua alma
tornando em vinho o vinagre que entornou.
sê único nos tantos que já foste
fingindo que finges a dor que já passou.

aquele que se der à leitura dos teus versos
não há de perceber senão sua própria dor
pois tudo é abstrato, nada é fato de fato
se sofre interferência do poeta e do leitor.

cuida apenas de um maior rigor na forma
para que se conforme com o que amalgamou
porque é através de uma perfeita simbiose
que se distingue entre o breve e o que ficou.


Fred Matos



4 comentários:

Flor de Bela Alma disse...

Muito boa sua visita.
Muito bom seu blog.
Como chegou ao flordebelalma?
Um abraço delicado:
Bia

glória disse...

Fred, nào tenho pouco referencial comparativo. essa "antítese" me traz um tom da vontade do poeta de dizer dos fluxos processos de criaçào. fala dos caminhos, do como se tangencia oe versos brutos para que assumam estéticas poéticas. eu gosto. é de uma natureza artesanal, mas do terreno do cuidado do que campo das intensidades. gostei da idéia. poderíamos pedir para alguns que postam poesais/contos/crônicas escolherem o que julgam sua melhor criaçào e comparar com algumas opiniões. cada um poderia escolher um número de dez produçòes. que pensas sobre isso?

fred disse...

Através de um comentário seu em um blog, que já não me recordo qual.
Obrigado por visitar-me, Bia, e pelo comentário.
Espero que volte sempre.
Abraço

fred disse...

Glória,

O meu problema com este poema é que acho ele metido a besta:
1. A linguagem é pseudo-erudita e
2. Ele é uma espécie de receita de poema que, entretanto, não consegue reproduzir em si mesmo o rigor na forma que preconiza. Não que eu ache que o rigor formal seja importante (não acho), mas já que o poema diz que é, ele deveria ter métrica, rima e sobretudo o ritmo com o rigor formal que preconiza.

Acho boa sua idéia: organize que eu participarei.

Obrigado.

Beijos

pesquisar nas horas e horas e meias