quarta-feira, abril 22

poema perdido


ilustração: Van Gogh  
Park with a Couple and a Blue Fir Tree.
1888


a sílaba silenciosa
desprendeu-se da garganta
mas o tempo havia passado,
agora não me adianta

o tempo havia passado
quando a palavra foi solta
agora não me adianta
porque o tempo não volta

agora não me adianta
que a frase nasça exata
o tempo dobrou a curva
& o poema não é acrobata

o tempo dobrou a curva
do meu poema perdido
nada há que o redima
deixo-o aqui interrompido.



Fred Matos



22 comentários:

Mirse disse...

Belo demias, Fred!

Quantas vezes isso se repete quando o poeta é interrompido, por lembranças ou por pessoas.

Mas acredito que esse poema ficou mais belo, por estar perdido.

Mais humano se solidificou, como nós, perdidos nesse mundo.

Parabéns, amigo!

Beleza de poema!

Abraços

Mirse

fred disse...

Obrigado, Mirse.
Deixou-me muito contente o seu comentário.
Beijos.

nathycandido disse...

Lindo seu poema..
beeeijo

Adriana Godoy disse...

o tempo dobrou a curva e ele não é acrobata...belo< Fred...um tesouro perdido. Beijo.

Lygia disse...

Caro Fred.

Certa vez, disse ao nosso amigo Joeldo Holanda a seguinte frase de Quintana: "Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente ... e não a gente a ele!"
Repito agora a você. Alguns poemas seus, especialmente este e neste momento, parece que estão lendo a mim...

Grande abraço

fred disse...

Fico contente por você gostar, Nathy, e agradeço-lhe a leitura, comentário e por tornar-se acompanhante do blog.
Beijos

fred disse...

Obrigado, Adriana.
Bem que eu ficaria contente se os meus poemas fossem acrobatas e pudessem dobrar a curva do tempo.
(risos).
Beijos

fred disse...

Deixa-me contente o seu comentário, Lygia.
Obrigado.
Beijos

A garota do copo d'gua disse...

belo poema, como citou lygia, transcrevendo mario quintana, ele parece nos ler mesmo!
pelo menos a mim ele lê com presteza...
talento é raro, e vc tem muito. nada melhor que dividi-lo com quem o admira...

boa semana querido fred :*

fred disse...

Agradeço-lhe o comentário generoso, Garota.
Ótimo resto de semana pra você também.
Beijos

Cosmunicando disse...

um poema sobre o timming do poema... uma pincelada de mestre =)
lindo mesmo
bjos

fred disse...

Obrigado, Mercedes.
É sempre bom receber a sua visita, leitura e comentário.
Beijos

yehuda disse...

você faz da vida, cada cena vivida,uma linda poesia, sem ligar pras suas sombras, és de fato um poeta

abraço

fred disse...

E você é, de fato, um bom amigo, Yosif.
Agradeço-lhe.
Abração

Anita Mendes disse...

os trocadilhos se perdem fundindo em poema ...e nós do outro lado tentando nos encontrar.
Muito bonito, fred!
saludos pra ti, Anita.

fred disse...

Eu é que sou grato, Anita, pela visita, leitura e comentário.
Beijos

malmal disse...

Fred, meu querido...

Vc não pode abandonar um amor por outro novo..o multi sente sua falta,
eu venho aqui matar a saudade, mas... nem tanto quanto gostaria.

Sobre o tempo? rsrrs li hj um poema maravilhose de um poeta espanhol, vou traduzir e te mando, vc e ele abordam o tempo de maneira singular.
Belo...

bijok

nina rizzi disse...

se esse bichinho sair a nteir-ar eu taquicar-dio-me! é demais, fred :)

fernando cisco zappa disse...

putz, fred!

gosto cada vez mais da poesia que crias

gozo até se me permite... rssrs
até se não... gozo em deslimite

e venho em exercícios irresponsáveis
laboriando isso:

a irreversibilidade!

bravo, poetamais!

fred disse...

Bondade sua, Chico Cisco.
Abração.

fred disse...

Querida Malmal,
Não é que eu tenha abandonado o Multiply, só não o tenho freqüentado. Quem sabe apareço lá uma hora qualquer pra matar a sua saudade (risos).
Mande-me, sim, o poema.
Beijos

fred disse...

Ê Nina,
Não sei como não havia visto antes o seu comentário e o da Malmal.
Agradeço-lhe, querida.
Beijos

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