quinta-feira, junho 25

tal qual meu pai – 3ª. parte



não sei quem é o autor da foto


Arthur e Mauro são os amigos mais remotos cuja fisionomia e nome eu ainda me lembro. Eles se conheceram por meu intermédio. Arthur era de temperamento acomodado, tranqüilo, levemente melancólico, menino recém chegado à capital, até então criado em cidade do interior e afeito à vida rural. Mauro, citadino, um dínamo, um verdadeiro moleque de rua. Um era o freio, o outro o motor. Meu temperamento uma média do dos dois. Conheci-os quase ao mesmo tempo. Mauro morava perto de mim, Arthur foi meu colega de sala durante todo o ginásio e também morava no mesmo bairro. À medida que crescíamos, o nosso trio se tornou o núcleo de um grupo muito maior que se reunia na casa de Arthur. O primeiro e principal acréscimo foi Luana, a sua irmã mais nova. Dona Manoela, a mãe de Arthur, virou uma segunda mãe de todos nós, principalmente após se separar do marido e a sua casa tornou-se a sede do nosso clube de adolescentes. Naquele outro lar eu descobri que a família não é, necessariamente, uma extensão da empresa, dos negócios.

Apaixonei-me por amigas de Luana, mas D. Manoela fazia marcação cerrada para evitar namoro entre os integrantes do grupo. Havia a timidez, o receio de ser repelido... Uma miríade de sentimentos que se exacerbam na adolescência, mas, provavelmente por resquício atávico de algum antepassado escravagista, ou por influência da minha experiência com Damiana, a minha timidez era consideravelmente abrandada se o objeto de desejo era uma negrinha. E veio a calhar, para a minha primeira relação sexual, que as da fazenda de Arthur fossem desinibidas e muito interessadas em granjear a simpatia dos patrõezinhos. Um dia não acompanhei os amigos na cavalgada. Desci ao riacho e encontrei a negrinha se banhando. Ela estava nua, devia ter quinze ou dezesseis anos, era feia, mas tinha um belo corpo, apesar da pele maltratada. Foi ereção à primeira vista. Não gritou nem protestou quando a abracei, abraçou-me também e o meu sexo roçou-lhe a barriga: eu era bem mais alto que ela. Sôfrego e sem delicadeza, como se fora um animal qualquer, possuí-a recostada no barranco. Trocamos poucas palavras, apenas as suficientes para marcar encontro para o dia seguinte, no mesmo local.


Continua no próximo post


2 comentários:

Mirse disse...

Oi Fred!

Só hoje percebi que ainda não acabara o conto.

Essa parte é muito interessante.
Como você disse, a miríade de sentimentos, junto à explosão de hormônios, cientificamente falando, que acontece nessa fase, marca para sempre.
E é interessante a leveza com que você conduz o conto!

Muito bom

Parabéns!

Beijos

Mirse

Fred Matos disse...

O conto é longo, Mirse. Por isso optei por publicar em 8 partes.
Agradeço-lhe a leitura e comentário.
Beijos

pesquisar nas horas e horas e meias