domingo, agosto 16

Iosif Landau




Faleceu às 22 horas do dia 14, sexta-feira, vítimado por um câncer de pulmão, o amigo querido, escritor e poeta Iosif Landau.


Iosif nasceu em Bucareste, em 30 de abril de 1924. Estudou na Romênia, na Inglaterra e no Rio de Janeiro, para onde se mudou em 1940. Engenheiro, formado em 1949, trabalhou mais de quarenta anos construindo rodovias, ferrovias, hidrelétricas e na eletrificação.
A vida nômade permitiu-lhe conhecer intimamente o país e nossa gente. Aposentou-se em 1992. Para ocupar o tempo vago, participou de uma oficina literária com o escritor Flávio Moreira da Costa, durante cinco anos.
Seu primeiro livro —Comissário Alfredo (Editora Record) — foi editado em 1995. Depois, vieram: Os Anjos Também Morrem (romance policial, Editora Altos da Glória, 1997); Encontro em Salvador(romance, Papel & Virtual Editora, 1998); Eles, Eu, Outros (poesia, Papel & Virtual Editora, 1999); Minha Doce Empreiteira (romance policial, Papel & Virtual Editora, 2000); Tudo por Nada(romance, Papel & Virtual Editora, 2001); Confissões (poesia, Papel & Virtual Editora, 2001);Preto & Branco (poesia, Papel & Virtual Editora, 2002); Memória Tumultuada (memórias, Papel & Virtual Editora, 2002); Eu Vi (poesia, Papel & Virtual Editora, 2003); Abelardo e Outros Contos (contos, Papel & Virtual Editora, 2004); Eu, Investigador (romance policial, Papel & Virtual Editora, 2004) e O Diabo Vestia Seda (romance policial, Publit Editora, 2006). Em 2005, foi publicado na antologia Crime Feito em Casa — Contos Policiais Brasileiros (org. Flávio Moreira da Costa, Editora Record).

Para homenagear o amigo publico um poema dele e um que escrevi para ele e publiquei no livro “Anomalias”



Infâmia


Um povo caiu na armadilha
depois daquela tragédia
o milagre de uma Pátria
mas ainda o caminho sem flores
vitoriosos permanecem vencidos
sua coragem é o choro dos filhos
calmaria feita de tempestades
terra submersa em infâmias
crianças indefesas e pais exaustos
se afogam nas areias do solo sagrado
piedoso Jeová permita o sacrifício
que nos aniquilem de vez, por toda vez
os Poderosos prometeram Paz.


Iosif Landau



Fado

[para o amigo Iosif Landau]


Na selva de asfalto concreto e aço,
na rotina da luta pela sobrevivência,
não há força além da aparência
nem paz a quem abraça o cansaço.

Pouco a pouco, sem que percebamos,
vestimo-nos com essa vã armadura
e poucos se dão conta da loucura
onde, desde a infância, navegamos.

Assim, perdidas as afeições humanas,
amesquinhamo-nos na individualidade
e iludimo-nos buscando a felicidade
nas celas estreitas das nossas cabanas.

Mas há os que transcendem este fado
no abraço fraterno do amigo resgatado.


Fred Matos
publicado em "Anomalias".
Editora Kelps
Setembro/2002

14 comentários:

cristinasiqueira disse...

Oi Fred,

Pungente homenagem ao poeta,escritor Iosif Landau.
E o poema luta que transcende.

com admiração,

Cris

Fred Matos disse...

Obrigado, Cristina.
O Iosif merece todas as homenagens que lhe sejam feitas.
Beijos

paula barros disse...

Soube nessa tarde de domingo da passagem dele. Dói a lembrança, a saudade. Fico mais tranquila de saber que ele não está mais sofrendo.

Estou por aqui lendo, como se pudesse revivê-lo. Onde ele é lembrando, ele está, e isso é bom.

abraços, ficou excelente.

Fred Matos disse...

Paula,
Como se diz: o sofrimento agora é de quem fica.
Agradeço-lhe a visita, leitura e comentário.
Ótima semana.
Abraços

BAR DO BARDO disse...

Percebi que o sr. Landau nos adotou.
Imagino como deve ter sido difícil isso. Ainda mais, adotar a nossa língua para a expressão de suas ideias, sentimentos e ações...

Bela homenagem!

Mirse disse...

Linda a sua homenagem, Fred!

"Vitoriosos permanecem vencidos" - a mais pura verdade, para um homem nômade mas com um poder de observação fantástico!

Enfim, parou de sofrer.

Beijos, Fred!

Mirse

Fred Matos disse...

Pois é, Henrique. Minha amizade virtual com o Iosif beira uma década, na qual tivemos momentos de maior aproximação e outros nos quais falávamos raramente. Este poema que dediquei a ele é de 2000 ou 2001, e foi publicado em 2002.
O Iosif era um poliglota, além disso estava no Brasil desde 1940 e o Romeno é um idioma latino que, segundo dizem, tem raízes em comum e algumas semelhanças com o português. Sendo assim, ele não tinha nenhuma dificuldade em se expressar na nossa língua. Se tiver oportunidade, leia alguns dos livros que ele publicou, principalmente os romances policiais, e você verá que ele dominava o idioma com uma riqueza vocabular ímpar, coisa de quem percorreu o país inteiro e conhecia também a nossa gente, não como um estrangeiro, mas como brasileiro.
Agradeço-lhe a visita, leitura, comentário e por passar a acompanhar o blog.
Grande abraço

Fred Matos disse...

Obrigado, Mirse.
Beijos

myra disse...

Fred, estou-lhe muito muito agradecida por tudo que escreveu...eu ja nao sei o que fazer, nem pensar, nem nada...gostaria de fazer muito,,,,mas o faço pensar nele, e vir aqui onde vcs os seus amigos o lembram e escrevem dele e para ele. Porque ele VE!!!
eu continuo escrvendo para ele todos os dias!!! ele esta contente, eu sei. E agora parece que Silvana e mariza e todos, nao sei como, mas vai sair o livro dle dos blogs. E ele ondeestiver vai estar super feliz. Tenho certeza, um grande abraçò. meu amigo, ja que era amigo dele é meu tbem,
myra

Fred Matos disse...

Não tem nada a agradecer, Myra. Só quem já perdeu um ente muito querido é capaz de avaliar a dor que isso causa, e, independente de crer ou não na sobrevivência de uma alma eterna, sabemos que o Iosif está presente, pelo menos nas memórias dos tantos amigos que conquistou, dos familiares que o amavam, e, também, que é imortal, porque deixou uma obra que tem uma marca pessoal, toda própria, original.
Fico contente que a as amigas Mariza e Silvana assumam a tarefa de reunir em livro os textos publicados no blog: se há pessoas com competência para fazê-lo, são exatamente elas.
A sua amizade também me é muito cara, Myra. Mantenhamo-nos em contato.
Beijos

Adriana Godoy disse...

Foi-se o artista, ficou sua obra e a possibilidade de tão belos poemas. Arrasou, Fred.

Fred Matos disse...

Obrigado, Adriana.
Ótima semana.
Beijos

myra disse...

amigo Fred, como fazer para conseguir viver sem meu irmao...mesmo si sei que esta aqui perto de mim...abraço,

Fred Matos disse...

Querida amiga Myra,
Viva como se ele pudesse surgir a qualquer momento ao seu lado, como se a ausência fosse temporária, não permitindo que se torne dor e saudade.
Fique bem.
Ótimo fim de semana,
Beijos

pesquisar nas horas e horas e meias