quinta-feira, setembro 3

balada para uma bailarina


não sei quem é o autor da foto


desde aquela suíte do quebra-nozes
quantos anos você tinha?
treze? quatorze? quinze?
enamorei-me ao som de Tchaikovsky

você nunca me contou se naquela noite
sonhou ou não com ratazanas nem por que
só se sente equilibrada na ponta dos pés
e evita sempre que pode uma conversa séria

tornei-me ratazana das ribaltas e dos proscênios
pelo prazer de me prostrar aos seus pés maltratados
pés deformados pelo esforço do equilíbrio precário
pés que eu lavo, massageio, acarinho e agasalho

a nossa vida tem sido desde então o teatro
entre ratos será até o seu último salto.



Fred Matos

6 comentários:

Lou Vilela disse...

Belo texto, Fred!

Abraços,
Lou

Fred Matos disse...

Obrigado, Lou. Fico contente por você gostar.
Beijos

Mirse Maria disse...

Lindo Fred!

A dança, e o ballet de um modo especial é uma arte belíssima. E o quebra nozes então...


Belíssimo poema!

Beijos

Mirse

Fred Matos disse...

Obrigado, Mirse.
Ótimo fim de semana.
Beijos

myra disse...

belisssimas palavras, outro abraço,

Adriana Godoy disse...

Fred, às vezes tenho dificuldade de acessar seu blog. É o único da minha lista que apresenta esse problema...bem agora consegui. E esse poema é uma dança quase cruel, uma percepção bem interessante da visão de uma bailarina. Gostei. beijo.

pesquisar nas horas e horas e meias