domingo, maio 31

tessitura


ilustração: Joan Miró - "The poetess"


o primeiro ato é ato de vontade
ação submissa ao afã da criação
ato de colher pesar cada palavra
ato de lógica e de moderação

mas é breve o instante comedido
os dedos teclam com sofreguidão
é a criatura assumindo seu destino
o criador não é mais mente: é mão

voa além e apesar de tudo
já não importa forma ou função
seu nome é agora absurdo
não há quem o ponha em prisão

o vento que o alça é melodia
acolhe-o o mundo da poesia.


Fred Matos

8 comentários:

Mirse disse...

Perfeita descrição do ato da criação!

Voa além mesmo, porque no final, apesar do "controle" dos direitos autorais, o poeta, o criador o faz para quem o lê.

Quem o lê e admira, absorve e acaba declamando sua poesia.

Sendo assim, o ato final da criação é a doação da arte da palavra bem dita.

Maravilha de poema!

Parabéns, poeta!

Beijos

Mirse

Anita Mendes disse...

fazia tempo que não passava por aqui...
e confesso que fiquei feliz de ter passado.
Mais uma linda poesia, fred.
beijos pra ti, Anita.

Hercília Fernandes disse...

Um belo poema metalinguístico, Fred.

O fenômeno criador poeticamente dissertado em versos. Espírito e manualidade em integração colaborativa. Resultado = poema rico em conteúdo a-lado...

Mudando de assunto...

Tem um fragmento que não lhe é estranho lá no blog da Maria Clara...

Beijos, poetíssimo!
H.F.

fred disse...

Mais uma vez só me resta agradecer-lhe a generosidade, Mirse.
Ótima semana.
Beijos

fred disse...

Sua ausência foi sentida, Anita.
Obrigado por vir, por ler e por comentar.
Ótima semana.
Beijos

fred disse...

Obrigado, Hercília.
A seguir vou ao blog da Maria Clara.
Ótima semana.
Beijos

Priscila Manhães disse...

Que bonito, Fred.
Gostei muito.
Um beijinho

fred disse...

Que bom que você gostou, Priscila.
Obrigado por vir, por ler e por comentar.
Ótima semana.
Beijocas.

pesquisar nas horas e horas e meias