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ilustração: James Tissot
num piquenique no asfalto
a moça de salto alto
mastiga o sanduíche
ao lado da lata do lixo
no outro lado da praça
uma fashion-girl se maquia
equilibrada sobre esferas
na órbita de um crucifixo
o fotografo arma a cena
porém no instante do flash
abriram a jaula do bicho
e soou um estampido
de smoking no galho mais alto
o executivo prolixo
quiçá pensando que é pássaro
abre as asas, assobia
atenta ao cântico do chefe
a secretária anota e não nota
que faz papel de idiota
na rota de fuga do bicho
o executivo contudo
encontrou a bala perdida
caiu morto na grama
com os miolos à mostra
é a secretária que grita
e a fashion-girl simplifica
caindo na gargalhada
achando que é palhaçada
o fotografo vendo aquilo
procura o ângulo exato
que enquadre no retrato
o cadáver e a cadavérica
mas na foto revelada
a única coisa que havia
era a moça de salto alto
passando patê no asfalto.
Fred Matos
22 comentários:
O banquete da bicharada humana "racional" é um show à parte; o seu poema é outro, só que bem mais inteligente.
Grande poeta e filósofo esse tal de Frederico =).
Ótimo findi!
Olaaaaaaaa
Vim aqui te visitar nessa linda manhã de sábado.
Realmente o piquenique nos grandes centros urbanos , ja não é o mesmo ...rssrsr
Um Abraço Apertado
vim aqui para te dar um beijo, e ri muito com teu poema! otimo!
O poder destruidor do asfalto...
Nem um piquenique consegue sobreviver a esta “vida selvagem”...
Fred a originalidade é um traço marcante teu, que eu adoro!
Belo poema!
Bjão carinhoso pra ti!
Gosto muito de poemas que descrevem cenários urbanos. Muito bom, Fred!
Beijo.
Excelente Fred.. adoro a sua sensibilidade e os retratos que se soltam através da escrita..
Abraço Eternum
Obrigado, Lara.
Ótimo fim de semana pra você também.
Beijos
Não é mesmo, Deusa, mas não é uma má ideía um pequenique na Rua Augusta, às 10 da manhã de uma segunda-feira.
Obrigado
Ótimo fim de semana.
Beijos
É exatamente a que se destina, Myra. Obrigado.
Ótimo fim de semana.
Beijos.
Wania,
Provavelmente a minha avó materna, com um sorriso nos olhos azuis, diria, se ainda fosse viva: este menino não tema mais o que inventar. E eu também sorriria de contentamento, como contente me deixou o seu comentário.
Obrigado, doutora poeta.
Ótimo fim de semana.
Beijos
E eu gosto que você goste, Nydia, conquanto achasse ótimo desurbanizar um pouco as nossas cidades, enchendo-as de árvores e bichos.
Obrigado.
Ótimo fim de semana.
Beijos
Que bom que você gostou, Eternum.
Agradeço-lhe a visita, leitura e comentário.
Ótimo fim de semana.
Beijos
Um piquenique triste a fazer um retrato das desigualdades.Faz-nos pensar.
Beijos.
Ê, Graça, faz-me contente a sua visita, leitura e comentário.
Obrigado.
Ótimo fim de semana.
Beijos
Ah Fred!
como sempre você me encanta.
adorei! *--*
E você a mim pela simpatia com que acolhe meus poemas, Duanny.
Obrigado.
Ótimo domingo
Beijos
Fred,
Tudo o que nunca sairia num gélido jornal, tu noticias num poema que, ao ser mais que real, abre-nos os olhos para o "auto-retrato" que ajudamos a compor com nossa omissão social.
Estão todos lá. Mesmo quem ficou implícito.
Um abraço, com admiração.
Katyuscia.
P.S.:
Tenho sentido muita falta da Kátia Drummond...
Agradeço-lhe, Katyuscia, pela visita, leitura e comentário.
Ah! a Kátia é assim mesmo, some uns tempos, depois aparece com uma dezena de belos poemas.
Ótimo domingo.
Beijos
Adorei.
Um piquinique que me encheu de imagens.
Beijos,
Ry.
Obrigado, Ry. Deixou-me contente a sua visita, leitura e comentário.
Beijos
Magnifico!!!adorei....as imagens são imediatas e as comparações maravilhosamente bem feitas!!!!lindissimo!!!!a partir deste poema sigo seu blog!
smacks!!
Agradeço-lhe, Babi, pela visita, leitura, comentário e por passar a segui o blog.
Ótimo fim de semana.
Beijos
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