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terça-feira, novembro 18

Os homens bons – Joeldo Holanda

foto: Fred Matos

Joeldo Holanda ©


Os homens bons, quase sempre
     Têm o rosto nas estrelas
     E o coração nos canteiros.
     Têm fé no nascer dos sóis,
     Têm a alegria nos filhos,
     E a esperança nos sapatos.

Os homens bons, fatalmente
    Amam mais do que deviam.
    Têm mulheres complicadas,
    Têm amores de mentira.
    Mas são, sobretudo, amados
    Como artífices da vida.

Os homens bons, certamente
     São puros como as manhãs.
     São tímidos como as pedras,
     São fáceis como as crianças.
     São homens, como os antigos
     São máquinas, se convém.

Os homens bons, normalmente,
     Saem respirando a vida
     E chegam cheirando a trabalho.

Os homens bons, geralmente,
     São homens de mulher só.
     Não que uma só sempre amassem,
     Ou que uma só vez casassem,
     Mas é que há um porta-retrato
     Na mesa de cabeceira
     Enfeitada de memória
     Em casa de suas vidas
     Que lhes servirá de morada
     Após do mundo partirem.


terça-feira, setembro 30

Madrugada – Joeldo Holanda

Joeldo Holanda ©

ilustração: foto de Luiz Fonseca

Madrugada

Há um instante em que se suprimem
Todas as faculdades da alma,
Todo o gozo e o pensamento,
Toda a emoção e a metafísica,
Todo e qualquer som de prenúncio,
E toda a vida

E enquanto o universo se reconstrói
Naquele exato instante,
Um nada se desvela em diálogos infindos,
E as mentes, que não mais eram, se entretêm,
Absortas,
Num espaço de silêncio.

pesquisar nas horas e horas e meias