terça-feira, dezembro 15

descriminalização da maconha 2



não sei quem é o autor da foto



Não tenho certeza, mas creio que, neste ano e dois meses do nas horas e horas e meias o post mais visitado, foi um sobre descriminalização da maconha, publicado no dia 10/05/2009.

Até hoje o post tem acessos quase que diariamente através dos motores de busca, o google principalmente. Não vou republicá-lo, quem quiser ler (e sugiro que quem o fizer não deixe de ler também os comentários) basta clicar aqui.

Volto ao assunto, porém, para publicar o texto do professor e jurista Wálter Fanganiello Maierovitch, veiculado hoje no blog “Sem fronteiras” no “Terra Magazine”, cujo título é Maconha, sucesso na terapia contra o álcool e a heroína



"A maconha tem sido usada com sucesso nas terapias voltadas a contrastar o uso abusivo de drogas de efeitos devastantes como o álcool e a heroína.
Trata-se de redução de danos, evidentemente. Em outras palavras, cuida-se da substituição de uma droga que atua no sistema nervoso central por outra, a fim de reduzir as consequências negativas do consumo.
Uma pesquisa publicada na edição de dezembro da revista científica Harm Reduction Journal aponta a utilização frequente da erva canábica como alternativa ao álcool, aos fármacos e algumas substâncias proibidas, ilegais.
Essa pesquisa foi realizada na Berkley School of Social Welfare e envolveu 350 usuários de maconha para finalidade terapêutica.
Dos 350 pesquisados, 40% deles afirmaram utilizar maconha como alternativa ao álcool e 26% a consumiam em substituição às substâncias proibidas, de efeitos mais nocivos à saúde física e mental.
Quanto à maconha substitutiva ao álcool, 65% dos analisados disseram que optaram pela maconha pelo fato comprovado, e sentido, de a cannabis produzir efeitos colaterais muito mais leves do que o álcool. Numerosos estudos confirmam a convicção desses pesquisados. A propósito, o mais recente estudo foi publicado pela British Colômbia Mental Health and Addictions.
Convém observar também que outros trabalhos demonstraram que a abstinência à maconha está associada ao aumento de ingestão de álcool, quer entre os bebedores de ocasião, quer entre os etílicos habituais, assíduos.
Não faltam bons estudos a evidenciar que o consumo de maconha favorece o tratamento contra a dependência da heroína e de alguns fármacos."

Como se vê, é mais um forte argumento para a descriminalização da maconha, visto que a droga proibida está sendo apontada como terapia para o abuso do álcool, uma droga lícita, socialmente aceita, e que tem efeitos mais nocivos para o organismo que a droga ilícita. Dito assim parece piada, mas é isso mesmo: não apenas tolera-se uma droga mais nociva que a maconha: incentiva-se o seu uso, inclusive com farta publicidade. Além disso há a questão jurídica que pode resultar no indiciamento criminal de médicos e pacientes da terapia.
Saudades de Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, neste Festival de Besteira que Assola o País.

Fred Matos




15 comentários:

LivroErrante disse...

O que voga e dá legalidade ao álcool é o imposto arrecadado; Diante disso tudo o mais é de pouca importância. Mais fácil é desviar a atenção para outro vilão (rima involuntária), a maconha.
Com quantos FEBEAPAs estaríamos, se Ponte Preta ainda fosse vivo?

Úrsula Avner disse...

Olá poeta, esa é uma questão complexa e polêmica. Na verdade o verdadeiro criminoso não é o usuário mas o traficante que comercializa a droga de uso ilegal. Trabalho no Juizado Especial Criminal de B.H onde são julgados estes crimes de menor potencial ofensivo como o artigo 28do CPB que prevê a responsabilização do usuário através da inserção em grupos de caráter sócio-educativos ou prestação de serviços á comunidade. Embora eu não faça uso da droga e nem concorde com o uso, acho que os verdadeiros criminosos ficam impunes enquanto os usuários são penalizados. Um abraço,

Úrsula

Fred Matos disse...

Ah! Regina,

Acho que nunca houve tanto material para o trabalho humorístico como atualmente, e isso é, do meu ponto de vista, lamentável.
Se a questão é de arrecadação de impostos, que se legalize todas as drogas e permita-se que sejam industrializadas e comercializadas legalmente: não creio que isso ocasionaria aumento do consumo e, em contra-partida, haveria a possibilidade de fiscalizar a qualidade da mercadoria, ocasionando assim menos danos aos usuários, e a arrecadação dos impostos poderia ser direcionada para o sistema de saúde que é atualmente pressionado com os custos dos tratamentos dos malefícios causados pelas drogas.
Além disso, com a legalização acabaria o tráfico e presumo que se reduziria a ocorrência dos crimes a ele associados.
É a minha opinião.
Beijos

Fred Matos disse...

Ursula,
Claro que é polêmico, mas me parece obvio que só há trafico ilegal porque o plantio, industrialização e comercialização é crime, se não fosse, não haveria a figura do traficante de drogas e o pernicioso contato entre usuários e criminosos. Então tudo se limitaria ao aspecto de saúde pública, como ocorre com o uso do álcool.
Conheço caso de pessoas que tinham pequenas plantações domésticas de maconha, para uso próprio, justamente para não ter que freqüentar bocas-de-fumo e que presas foram indiciadas e condenadas como se fossem traficantes, pois a Lei, naquela época, não aceitava a hipótese de plantio para uso próprio. Atualmente me parece que já se aceita esta hipótese, mas a legislação deixa ao critério dos juízes a avaliação subjetiva de se aceitar ou não, e, como sabemos, a tendência das avaliações subjetivas é de liberalidade para com os "bem nascidos" e endurecimento do jogo para os "pobres, negros e mulatos", e os "brancos quase negros", como os chamou Caetano Veloso.
Há pessoas que defendem a tese de que a liberalização concorreria para aumento do consumo, mas não foi o que se verificou nos países que liberaram (leia o meu post do dia 10/05, ( http://eumeuoutro.blogspot.com/2009/05/descriminalizacao-da-maconha.html ) no qual apresento os dados que coletei na época.
Também naquele post é colocada a questão: a quem interessa, senão aos traficantes e aos detentores do mercado das drogas lícitas, que a maconha e as outras drogas continuem sendo tratadas como caso de polícia e não de saúde?
Agradeço-lhe participar do debate com a sua lucidez e generosidade.
Beijos

Adair Carvalhais Júnior disse...

Eu não tenho a mínima dúvida quanto a isso: o uso da maconha deveria ser descriminalizado.
No nosso país e em muitos outros apenas a hipocrisia de muitos e os lucros de uns quantos é que mantém a situação assim.

E viva Stanislaw !

FLÁVIA DE MACEDO disse...

Olá Fred.Historicamente a criminalização da maconha nos EUA ( e consequentemente em todo o restante do mundo) teve sua origem numa questão racial ( ou seja,racista), nas primeiras décadas do século XX.Isso é abordado de forma muito interessante no documentário "Grass: the history of Marijuana".Recomendo.Acho que todos nós teremos a ganhar quando a maconha for descriminalizada.Aliás, acho que todas as drogas deveriam ser descriminalizadas e um pesado investimento deveria ser feito na Saúde, oferecendo a essas pessoas ( usuários de risco e dependentes químicos) um suporte de qualidade, sem preconceitos.Investimento maciço tb na Educação e em políticas públicas p/ absorver e atuar sobre essa complexa questão da violência urbana, fruto da desigualdade gerada por nosso sistema torpe capitalista, onde poucos têm e muitos desejam.

Fred Matos disse...

Bom te ver aqui, Adair.
Grato por participar.
Grande abraço

Fred Matos disse...

Flávia,
Eu não sabia da origem racista na criminalização da maconha, mas bem que deveria imaginar algo do gênero. Verei a possibilidade de conseguir o documentário citado por você.
Fico contente que a minha opinião seja exatamente como a sua, e como você tem formação em psicologia e trabalha com dependentes químicos, é obviamente muito mais qualificada que eu para opinar.
Para que não fiquem dúvidas: sou favorável à descriminalização de todas as drogas e com investimento pesado nas áreas de saúde e de educação, para os quais podem-se usar os impostos incidentes sobre as drogas.
Acredito, contudo, que é mais factível, por questão de aceitação social e dos nossos legisladores, avançar paulatinamente, começando primeiro com a descriminalização da maconha.
Agradeço-lhe a visita, leitura e participação enriquecedora no debate.
Beijos

Adriana Godoy disse...

Fred, esse assunto na minha cabeça e avaliação já está resolvido. Falta virar lei. A maconha deve ser descriminalizada e não vai demorar tanto tempo assim.
I hope so.
Beijo.

Fred Matos disse...

"A maconha deve ser descriminalizada e não vai demorar tanto tempo assim."

Eu gostaria de compartilhar do seu otimismo, Adriana, mas, com os políticos que temos, fico me perguntando se há como enfrentar os lobistas da indústria das bebidas alcoólicas que, certamente, “investirão” muitos milhões na compra de votos dos parlamentares, para que continuem com o monopólio das drogas lícitas. Isso para não falar dos grandes traficantes, os que movimentam a grana, os que nunca subiram o morro e nem sabem onde funcionam as bocas de fumo, os que têm ramificações políticas, quando não mandatos políticos.
Agradeço-lhe a visita, leitura e comentário.
Beijos

Mercedes disse...

No imaginas cuánto siento no entender bien tu lengua, por lo poco que vistumbro, sé que tienes mucho que decir.
Gracias por hacerte seguidor de mi blog.
Un saludo afectuoso

Mercedes disse...

Se me ocurre, ¿qué tal si pusieras un traductor?
Hasta pronto

Tainã Steinmetz disse...

A maconha tinha que ser legalizada...
eu não fumo, nem nunca fumei... mas o cigarro mata mais e é legalizado.

Fred Matos disse...

Interessante, Mercedes, que, sem haver estudado tua língua, eu não sinta muita dificuldade para entendê-la, e eu supunha que o português também não soasse muito estranho para quem se expressa em espanhol.
Verei como fazer para pôr um tradutor no blog.
Agradeço-lhe pela visita, leitura, comentário e sugestão.
Beijos

Fred Matos disse...

Tainã,
Eu já fumei, e fumei muito, tanto maconha quanto o cigarro de tabaco. O cigarro “socialmente aceito” eu comecei a fumar aos 12 anos de idade e parei aos 52 anos: foram, portanto, 40 anos de fumante, e fumante pesado, de 40 a 60 cigarros por dia.
A maconha eu comecei a fumar com 16 anos, e parei antes dos 50 anos. Para arredondar, digamos que eu tenha parado de fumar habitualmente com 46 anos: isso daria 30 anos de consumo de, aproximadamente, um a dois baseados por dia.
O que posso testemunhar é que não tive nenhuma dificuldade para deixar de fumar maconha e que, no tempo todo que fumei, ela nunca serviu como estímulo a drogas mais pesadas, como se costuma acusar. Não nego que tomei uma centena ou mais de LSD, entre os anos de 1968 e 1972, mas sem que a maconha possa ser acusada de coisa alguma, pois eu teria tomado ácido mesmo se não existisse a cabis-sativa. Também não tive nenhum problema para parar de tomar ácido: deixei porque comecei a trabalhar, me casei, tive filhos, e o ácido não é, ao meu ver, compatível com as responsabilidades que assumi. Continuei com a maconha porque não me atrapalhava de trabalhar, não me causava nenhum prejuízo aparente. Porém, quando comecei a sentir taquicardia com o uso da maconha, parei e, como disse antes, sem nenhuma dificuldade. Ou seja: não havia dependência nem física nem psicológicas. Obviamente que estou a falar de mim e que talvez por questão orgânica eu seja diferente de outras pessoas nesta questão.
Já no que se refere ao “cigarro normal”, eu só consegui parar na terceira tentativa. Nas duas primeiras fiquei cerca de um ano sem fumar, mas sempre desejando fumar, tendo que me esquivar de situações que me causassem o desejo. Somente agora me considero liberto do tabagismo, mas tive que fazer uso de medicamento (Ziban) e levei muito tempo “desejando” fumar. Até hoje há ocasiões em que sinto vontade de fumar: quando bebo, por exemplo, e sei que não posso arriscar uma única tragada, sob pena de voltar ao estranho hábito de aspirar um canudo de fumo que nem lombra dá.
Agradeço-lhe a visita, leitura e comentário.
Beijos

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