
foto: Fred Matos
Suspense...
A casa está vazia para a vida.
Não há nada que mova, nenhum cão.
A louça da madame, recolhida.
Os pratos da família, à coleção.
O som que vem de fora, com a devida
Fúria, ricocheteia no zarcão
Das grades da janela apodrecida,
Silencia-se à muda confissão.
Parede com o relógio, tique em taque...
Retrato com o refúgio, piquenique...
As sombras estão prontas para o ataque,
São contra a ausência gélida de Henrique
Que volta de uma prática de araque,
O culto por que a carne purifique.
Henrique Pimenta
Sem o mesmo talento do amigo deixei um no comentário e depois vi com alegria que o Henrique editou o post para publicar o diálogo. É este:
Soneto para o Bardo
A prática - de araque? - de Henrique
Parece que de araque não tem nada
Pois nada há - meu deus - que justifique
Não crer que se trate de piada
Penso que cultua a carne crua
Que viva vai com ele ao piquenique
Onde como um bom ator atua
Até que a dama nua dê chilique
Por isso é que a casa está sem vida
O cão sumiu correndo atrás do rabo
De uma cadela ou de um prato de comida
E o leitor intrigado chega ao cabo
Deixando um grande abraço na saída
Nos versos dum soneto de quiabo.