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sexta-feira, outubro 23

diálogo



foto: Fred Matos


Um blog que visito regularmente é o Bar do Bardo do poeta amigo Henrique Pimenta. Em uma destas visitas encontrei este ótimo soneto:


Suspense...

A casa está vazia para a vida.
Não há nada que mova, nenhum cão.
A louça da madame, recolhida.
Os pratos da família, à coleção.

O som que vem de fora, com a devida
Fúria, ricocheteia no zarcão
Das grades da janela apodrecida,
Silencia-se à muda confissão.

Parede com o relógio, tique em taque...
Retrato com o refúgio, piquenique...
As sombras estão prontas para o ataque,

São contra a ausência gélida de Henrique
Que volta de uma prática de araque,
O culto por que a carne purifique.

Henrique Pimenta


Sem o mesmo talento do amigo deixei um no comentário e depois vi com alegria que o Henrique editou o post para publicar o diálogo. É este:


Soneto para o Bardo


A prática - de araque? - de Henrique
Parece que de araque não tem nada
Pois nada há - meu deus - que justifique
Não crer que se trate de piada

Penso que cultua a carne crua
Que viva vai com ele ao piquenique
Onde como um bom ator atua
Até que a dama nua dê chilique

Por isso é que a casa está sem vida
O cão sumiu correndo atrás do rabo
De uma cadela ou de um prato de comida

E o leitor intrigado chega ao cabo
Deixando um grande abraço na saída
Nos versos dum soneto de quiabo.


Fred Matos



pesquisar nas horas e horas e meias