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sábado, março 6

peleja secular



No dia 3 de Março a poeta Hercília Fernandes dedicou-me um poema, no blog HF diante do espelho. No dia seguinte, quando o li, saiu-me pronta, em versos, a resposta/comentário que a HF puxou para o texto da mensagem. Hoje, tanto pela beleza do poema da Hercília, quanto porque o meu não foi publicado aqui no nas horas e horas e meias eu os estou publicando.



ilustração: Bosch


Peleja Secular

ao poeta Fred Matos.

Ainda que eu quisesse
não saberia como agraciar.
Jamais fui referência postular
Não carrego a benevolência
da madre Tereza de Calcutá.
Se existe céu ou inferno
não cabe a mim pronunciar.
Embora, em seus mistérios,
a humanidade ora padeça
[ ilesa ] de purgatório
: peleja secular...


hercília fernandes
03 mar. 2010



conquanto não sejas santa
com certeza não és nem será
a madre tereza de calcular
exceto que calcules sílabas
com um metrônomo acústico
que eu, nos meus versos rústicos,
não saberia como usar

mas na peleja secular
entre a fé e a ciência
uso um metrônomo pendular
que hora está aqui, hora está lá
hora está aqui, hora está lá
hora está aqui,
hora está lá


fred matos
04 mar. 2010

sexta-feira, outubro 23

diálogo



foto: Fred Matos


Um blog que visito regularmente é o Bar do Bardo do poeta amigo Henrique Pimenta. Em uma destas visitas encontrei este ótimo soneto:


Suspense...

A casa está vazia para a vida.
Não há nada que mova, nenhum cão.
A louça da madame, recolhida.
Os pratos da família, à coleção.

O som que vem de fora, com a devida
Fúria, ricocheteia no zarcão
Das grades da janela apodrecida,
Silencia-se à muda confissão.

Parede com o relógio, tique em taque...
Retrato com o refúgio, piquenique...
As sombras estão prontas para o ataque,

São contra a ausência gélida de Henrique
Que volta de uma prática de araque,
O culto por que a carne purifique.

Henrique Pimenta


Sem o mesmo talento do amigo deixei um no comentário e depois vi com alegria que o Henrique editou o post para publicar o diálogo. É este:


Soneto para o Bardo


A prática - de araque? - de Henrique
Parece que de araque não tem nada
Pois nada há - meu deus - que justifique
Não crer que se trate de piada

Penso que cultua a carne crua
Que viva vai com ele ao piquenique
Onde como um bom ator atua
Até que a dama nua dê chilique

Por isso é que a casa está sem vida
O cão sumiu correndo atrás do rabo
De uma cadela ou de um prato de comida

E o leitor intrigado chega ao cabo
Deixando um grande abraço na saída
Nos versos dum soneto de quiabo.


Fred Matos



pesquisar nas horas e horas e meias