tocáveis, sereias visíveis,
sensualidades incorporadas...”
Fernando Pessoa, ou, melhor dizendo
Bernardo Soares no Livro do Desassossego.
Amós Oz.
Em “Pantera no porão”
“Reduzir a imaginação à escravidão, mesmo que estivesse em jogo aquilo a que grosseiramente se chama felicidade, é privarmo-nos de tudo o que encontramos, no nosso íntimo mais profundo, de justiça suprema. Somente a imaginação me diz o que pode ser”.
Em “Les Manifestes Du Surréalisme”.
“A vida do avarento é um constante exercício da potência humana colocada a serviço da personalidade. Ele só se apóia sobre dois sentimentos: o amor-próprio e o interesse; mas, como o interesse é de certo modo o amor-próprio sólido e bem compreendido, a comprovação permanente de uma superioridade real, o amor-próprio e o interesse são duas partes de um mesmo todo, o egoísmo.”
Honoré de Balzac
Em “Eugênia Grandet”
“...nunca sabia ao certo como deveria responder a alguém, se seu interlocutor queria rir ou estava sério. E, ao acaso, ele acrescentava a todas as suas expressões fisionômicas o oferecimento de um sorriso condicional e provisório cuja finura expectante o desculparia da censura de ingenuidade, se as palavras que lhe dirigiam fossem de fato espirituosas. Porém como tinha de enfrentar a hipótese oposta, nunca deixava o sorriso se afirmar nitidamente no rosto, onde se via flutuar perpetuamente uma incerteza em que se lia a pergunta que não tinha coragem de fazer: “O senhor fala isto a sério?””.
Marcel Proust
Em “No Caminho de Swann”
“ - As casa novas, redargüiu o Sr. Bergeret, são mais cômodas do que as velhas. Mas, não gosto delas, talvez porque sinta melhor, num luxo que se pode medir, a vulgaridade de uma vida estreita. Não é que eu sofra, mesmo por vocês, com a mediocridade da minha situação. É o banal e o comum que me desagradam. Vão-me achar absurdo.
- Oh! Não, papai!
- Na casa nova, o que me é odioso, é a exatidão das disposições correspondentes, a estrutura muito aparente dos alojamentos, que se nota de fora. Há longo tempo que os citadinos vivem empilhados. E uma vez que sua tia não quer ouvir falar de uma casinha de arrabalde, desejo acomodar-me bem num terceiro ou quarto andar e é por isso que renuncio com pena às velhas casas...”
Anatole France
Em “O Sr. Bergeret em Paris”
“Era sua opinião não haver senão duas fontes do vício humano: a ociosidade e a superstição, e senão duas virtudes: a atividade e a inteligência”.
Leão Tolstoi
Em “Guerra e Paz”
“Ao que parece, somos quase forçados a aceitar a terrível hipótese de que na própria estrutura e substância de todos os esforços humanos de construção social está incorporado um princípio de morte; de que não há impulso progressivo que não deva tornar-se fatigado; de que o intelecto não pode fornecer uma defesa permanente contra um vigoroso barbarismo.”
Wilfred Trotter
In “Instincts of the Herd in Peace and War”
“Conheci já bastantes homens para saber o que devemos pensar dos seus caprichos: nada é sem importância para um homem, uma vez que o seu orgulho esteja em causa, e o prazer é a palavra que mais depressa e mais vezes lhe permite satisfazê-lo.“
André Malraux
Em “A Condição Humana”
“Teria sacrificado sua vida sem hesitar para salvar a de seu marido, se a visse em perigo. Era uma destas almas romanescas , para quem perceber a possibilidade de uma ação generosa e não a realizar provocava remorsos iguais aos decorrentes de um crime cometido. Havia dias funestos, contudo, em que não podia afastar a imagem do excesso de felicidade que gozaria se, tornando-se de repente viúva, pudesse casar com Julien.”
Stendhal
Em “O Vermelho e o Negro”
“O amor-próprio é um animal estranho que pode dormir até sob os golpes mais rudes, para depois acordar ferido de morte por um simples arranhão”
Alberto Moravia
Em “A Romana”
“Observei mais tarde na minha vida que mesmo aqueles cujo dinheiro tem origem lícita não gostam de falar nele nem com estranhos nem com os íntimos. Provavelmente o dinheiro está ligado a uma sensação de vergonha, ou pelo menos de pudor, que o apaga do rol dos assuntos normais e o relega às coisas das quais não é bom falar, secretas e inconfessáveis; como se fosse mal ganho, independente da sua origem. Mas talvez seja verdade também que ninguém gosta de mostrar o sentimento despertado pelo dinheiro, sentimento violento que vem sempre acompanhado de uma sombra de culpa.”
Alberto Moravia
Em “A Romana”